sábado, 2 de fevereiro de 2008

Primeiro passo: Reconstruindo nosso “Eu”


É impossível pensar em tornar o mundo melhor, sem antes começar a entender o que está errado no nosso Eu. Isso mesmo, como imaginar uma transformação se não estivermos perceptíveis as limitações do nosso Eu. Então, antes de estarmos aptos a transformar outras pessoas, a sociedade, devemos transformar-nos em pessoas minimamente preparadas espiritualmente.

Acalmem-se, pois não tenho alguma pretensão de estender-nos aos caminhos de Deus (ou Deuses, respeitando quaisquer que sejam suas crenças). Quando invoco o Espírito, faço-o com o sentido de potencializar a idéia de alma, de espírito, da essência do homem.

Analisando-se a perspectiva da influência do meio sobre o homem, e do homem sobre o meio, qual é o parâmetro de ação destas relações, considerando o homem de qualquer realidade cultural? Antes de responder pare por um instante para imaginar qual é o papel do homem no mundo, reflita sobre tudo isso. Já pensou? Chegou a alguma conclusão? Não, então vamos refletir juntos sobre tudo isso.

Sendo todo homem um ser dotado da capacidade de pensar, podemos dizer que o mesmo faz uso do livre-arbítrio para dirigir o rumo de suas ações, de sua vida. Certo, então podemos dizer que a essência deste homem é o resultado de suas escolhas? A resposta é sim e não; por ora, vamos nos abster de outros questionamentos, focando momentaneamente apenas nesta questão.

“O homem é o resultado de suas escolhas, sendo assim, moldando por elas”. É verdade que nós somos, principalmente, resultado dos caminhos que vamos seguindo em nossas vidas, entretanto, o exterior ao homem, o meio no qual está inserido, influência na formação de sua essência. Portanto, o homem pode ser orientado na caminhada da vida. Ninguém nasce predestinado a ser um grande homem, um homem torna-se grande, ou não, durante sua vida.

Esclarecido isto, vamos a parte que considero relativamente difícil de entender; estudar como o homem interage com o mundo.

Essa interação sofreu uma brusca mudança na forma pela qual atualmente se dá. Anteriormente, seria mais fácil analisar tal relação, pois hoje o acesso a todo tipo de cultura, e até mesmo de informação é simples, fácil.

Portanto, o mundo age principalmente de duas formas a moldar um homem. Através da cultura e da informação. Vamos analisar separadamente esses dois elementos.

· Da cultura;

Esta, podemos dividir em duas vertentes de ação, independentes e igualmente importantes.

Num primeiro momento a cultura age de forma singular, ela está lá com o indivíduo, está tão presente no meio como o próprio ar, e este indivíduo a agregará involuntariamente (mesmo que de forma parcial); devo fazer uma ressalva: até nos meios “ausentes de cultura” há cultura presente, mesmo que primitiva e involuntária, mas o fato é, ela está lá. Pense nas periferias de São Paulo, nas favelas do Rio de Janeiro, ela está lá, formando o meio e influenciando a essência destes indivíduos.

Posteriormente pensamos num homem, que devido à globalização é capaz de buscar em qualquer lugar do mundo o conhecimento, a cultura, religião, ou qualquer coisa que queira sem sair de casa, tudo através da grande rede, a internet.

Este veículo de informação, a internet, é capaz de levar essa jovem através de diversas culturas, fazendo-o agregar culturas qualquer tipo de cultura, assim nasce um novo tipo de homem, mais complexo, formado por incontáveis experiências culturais. É este indivíduo, agora mais complexo, devido a esta variedade de culturas que se encontram a disposição, que é o homem contemporâneo.

· Da informação;

Quando vinculamos a informação a todo este processo, não restringimos-na a informação educacional, ou intelectual, ou mesmo a factual (jornalística). Referimos-no sim a todo esse conjunto, do qual se estabelece essa rede interativa de formação, capaz de moldar a alma, a essência de um indivíduo.

Sendo isso verdade, chegamos à premissa:

Vimos anteriormente que a cultura pode agir de novas formas, devido ao processo denominado globalização. Assim como ela, a informação, atualmente disponibiliza das mesmas ferramentas para influir na formação de um indivíduo. Esse fenômeno presente em ambas às formas de moldar o homem, a informação e também na cultura, será denominado de Rede Interativa de Formação, ou simplesmente R.I.F..

Você deve está pensando que sou um idiota?! Como pode um indivíduo ter real liberdade para se tornar um homem desenvolvido, e simultaneamente, sofrer a influência da R.I.F, a qual, torna-a uma simples marionete?!

Se o parágrafo anterior não lhe pareceu um absurdo, e esse questionamento perturbou sua convicção quanto ao nosso estudo, bem, acredito que devemos ter um pouco de atenção aqui, pois como eu havia anteriormente avisado, essa é a parte difícil.

Tentarei agora ser mais objetivo. Primeiro temos que aceitar o seguinte fato: nosso objeto de estudo não é “exato”. Entenda, um mais um é igual a dois? Sim e não, pode ser ou não. Aceite isso como verdade absoluta, pois se você não aceitar que um determinado grupo de fatores, iguais (considere exatamente a mesma R.I.F.), exposto da mesma forma, pelo mesmo tempo, a indivíduos diversos, resultará em homens diferentes, pois mesmo que ainda bruta, suas essências eram inicialmente diferentes.

Imagine dois carros, um Volvo Sedan e uma Ferrari, ambos são carros, assim como ambos os indivíduos são seres humanos. Idênticos, pois possuem os mesmos membros, órgãos, etc., mas ainda assim são igualmente seres humanos. Ou seja, são indivíduos iguais que diferem em sua essência.

Voltando aos carros, vamos equipar os carros com os mesmos bancos esportivos, mesma pintura, e diversos outros acessórios idênticos. Ao final teremos dois belos carros tunning, e embora tenham sido equipados com os mesmo acessórios, ainda assim não são iguais, o resultado final foi diferente, muito embora agora ambos sejam carros tunning, com características muito semelhantes.

Isso é só o começo. Acredito ter obtido êxito em explicar-lhes “O que nos torna um Eu”, será a partir destes conceitos que no próximo texto, nos aprofundaremos um pouco na “Conseqüência do Eu ao mundo exterior”, a segunda parte do meu trabalho “Construindo o nosso Eu”. Trata-se apenas do primeiro passo para encontrarmos um mundo melhor

texto de: Bruno Neiva de Assis

2 comentários:

Pedro F Ducry disse...

Muito bom o texto ! Conceitual e funcional ! Vc sintetizou muito bem uma introdução a interpretação humana e tds os seus fatores de forma coerente e bem "pé no chão"... Estou curioso para ler a continuação do texto !

Um forte abraço !

Pedro Ducry

Unknown disse...

"Referimos-no sim a todo esse conjunto, do qual se estabelece essa rede interativa de formação, capaz de moldar a alma, a essência de um indivíduo. "
engraçado vc dizer isso, eu não concordo que algum tipo de informação seja capaz de mudar a alma, ou o que vc chama de esssencia! alais, vc poderia escrever sobre o que é a esscencia pra vc, já que lendo o texto fiquei curiosa em saber o que vc chama de essencia ! bem interessante esse tema, vamos continuar! escrever sempre é o remédio ! beijos